O presidente vem à Tv falar das escutas que nem ele sabe se existiram mesmo.
E resolve não ir no 5 de Outubro à Praça do Município porque estamos em período eleitoral mas fala em Belém (não vai haver eleições em Belém?.
O 1º ministro diz que vai comemorar no local indicado (a Câmara de Lisboa) a república.
Os meninos monárquicos saem de barco no Cais do Sodré (mas não era para sair no Terreiro do Paço? ) para vir ao Camões hastear uma bandeira monárquica e dizer que querem um rei (qual deles? mal por mal, seja o Elvis gordo e alcoólico).
"Bebo vinho como a raiz bebe água
cristalina do ribeiro. Só Deus é Deus
e ele tudo sabe, não é isso que se diz?
Quando me criou sabia que eu
beberia vinho. Se me recusasse a
beber. a ciência de Deus fracassaria."
A Luisa resolveu mandar pintar a sala. Lá veio o sr Eduardo e para não sujar nada embrulhou os armários em plástico e papel. Quando entrei e vi tudo embrulhado pensei que estava numa exposição do Christo Javacheff (e sua inseparável "musa" Jeanne-Claude). Terá o sr Eduardo, modesto pintor de paredes, imitado o Christo? Já agora, será que ao encomendar e pagar o trabalho terá a Luisa feito o papel da Jeanne-Claude (literalmente e figurativamente pois é a J-C quem entra muitas vezes com o "papel" para o C.J. realizar os trabalhos) ? A arte e a vida confundem-se muitas vezes...
Tive de ir com a minha companheira ao hospital Amadora-Sintra e foi uma aventura . Na triagem pediram-me para levar a maca (uma vez que havia muita gente à espera) para a Ortopedia. Lá estavam três personagens de bata branca. Um atendia um doente, outro consultava o computador e a terceira com ar insolente declarou que não tinha nada que estar ali. Argumentei com as instruções que me foram dadas na triagem e como "nem ai nem ui" deixei-me ficar com a maca em frente à porta. Lá veio o jovem de bata branca do computador e mandou-nos para a cirurgia. Mandaram fazer um raio-x e depois uma ecografia mas às 21 horas saiu toda a gente do gabinete e lá ficámos à espera. Segundo um auxiliar foram todos "para o bloco por causa duma fractura". Por volta das 23 horas lá apareceu o médico da cirurgia ainda a mastigar (teria comido a perna a algum sinistrado?).
Bom, na realidade até não foi mau: entrámos às 19 e saímocs às 23 (fui lá uma vez e entrei às 20 e saí às 2 da manhã). Serão estas as vantagens da gestão privada?
Ollho à volta e não resisto a citar um homem do séc. XVII, o padre António Vieira:
Este post é dedicado ao meu velho amigo J. Lourenço. Começarei por lhe agradecer a leitura atenta do meu blog (aliás, começo a suspeitar que é o meu único leitor assíduo, pois só ele emite comentários sobre os meus posts). Mas sobre as delícias do digital (ainda que só ostentado mas não usado) devo dizer-lhe que há uma forma mais rápida e mais proveitosa de me safar na vida; E esta imagem prova-o. Este desenho rápido é do "Paraiso" o snack onde almoço com os meus colegas duas ou três vezes por semana; ou seja, afinal o paraíso está ali mesmo ao alcance da mão (e da carteira uma vez que é uma "tasca" económica). Qual computador, qual i-phones, qual o raio que os parta digital, modernaço ou o c... que os f..... ! Afinal basta sentar-me na esplanada e perguntar com ar displicente: "Então sôr Zé, o que há hoje para almoçar?"
Assim como trouxemos nas naus especiarias das Indias e depois ouro do Brasil e esbanjámos tudo em orgias exibicionistas de novo riquismo, agora digitalizamos o pais com novo afã colonizador (ou colonizado?) e é ver por tudo o que é sítio um computador, um plasma e tudo o mais que Deus e o homem inventarem. E os simples abrem a boca de espanto "ah! isto agora é que está moderno!". Pena é que , mais uma vez nos fiquemos só pela fachada e pela exibição pindérica dos aparelhos das novas tecnologias escondendo a mais das vezes a indigência intelectual e cultural (dos que exibem e dos que se impressionam com os objectos). Mas um burro carregado de livros continua a ser um asno, não é?
Corremos para não parar, não cair, como se, caso parássemos, pudéssemos ser atropelados pelos outros que também correm como loucos, como se fugissem da morte, do desespero, da frustração...
E corremos toda uma vida para no fim nos sentarmos a olhar para trás a recordar na esperança de provarmos aos outros e a nós próprios o que vivemos ou não vivemos, que valeu a pena viver.
Ou, quem sabe, sentarmo-nos na areia de consciência tranquila sem medo de, se necessário, dizer não.
(Tudo isto ao ver este desenho de juventude. Que é que então eu pensaria ou intuiria?)
Com tanto escandâlo financeiro, tanta dúvida sobre a as acções de tanta gente na nossa sociedade não resisto`à tentação de transcrever dois excertos de Albert Cossery (1913-2008), escritor sem papas na língua, que vêm mesmo a calhar :
:
"O banditismo nas altas esferas da sociedade é uma peripécia admitida em todas as nações do mundo. O povo já está habituado e até aplaude esse gánero de proezas."
"Ossama era ladrão; não um ladrão legalista do estilo ministro, banqueiro, negocista, especulador ou promotor imobiliário, mas um modesto ladrão de rendimentos aleatórios, cujas actividades -- sem dúvida por proporcionarem benefícios limitados -- em todos os tempos e latitudes têm sido consideradas como uma ofensa à regra moral dos ricaços."
A sociedade começa a revelar indícios preocupantes.
Ele é a crise económica e o desemprego, as falências (verdadeiras ou não), a confusão dos agentes económicos, os governantes que olham com desprezo os governados e se comprazem em sessões de auto-elogio, as queixas do "homem da rua" sobre a insegurança e o avanço do desemprego, os cidadãos que acatam ordens por instinto de sobrevivência (como acontece com muitos professores que depois de tanta luta resolvem submeter-se aos desígnios do M.E. por MEDO) ...
Será que não vimos já um panorama semelhante no séc. XX ?
Estará a noite a aproximar-se?....
. O Paraíso ao alcance da m...
. E por falar em banqueiros...
. QUANDO A NOITE CAI CHEGAM...